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O que são componentes e famílias BIM?

Muito se escuta falar a respeito de famílias BIM, mas esse conceito vão muito além no mundo BIM e seus componentes.

A grande maioria das pessoas quando começa a se envolver com o mundo BIM inicia seus passos com o software Revit da Autodesk, e logo se deparam com a ideia de famílias BIM ou Revit (as mais famosas no mercado). Entretanto, esse conceito não é restrito ao Revit. O nome Componentes BIM vem se estabelecendo como seu equivalente “apartidário” para todas as ferramentas BIM.

Podemos considerar os componentes BIM como a base para a criação de um bom modelo da informação da construção, sendo assim, é de vital importância que sejam bem planejados e criados pensando no seu uso no dia-a-dia dos processos BIM, para que sejam de fácil manuseio e assegurem a retirada de informações corretas do modelo.

Definição de componente, família e tipo

Os componentes BIM representam todos os tipos de objetos dentro de uma edificação, desde elementos simples como contrapisos e acabamentos de superfícies, até Fan Coils, geradores e objetos de grande complexidade.

DICA: Uma analogia que ajuda a entender o conceito de componente é pensar nos blocos dos softwares CAD. Assim como os blocos, os componentes permitem a representação gráfica de objetos da construção civil.

Entretanto, além de representarem graficamente o objeto, os componentes também contêm parâmetros para informações semânticas (dados a respeito do fabricante, modelo, custo, prazo de garantia, etc.) e geométricas. Isso permite que sua geometria seja alterada por meio de mudanças de valores de seus parâmetros, sem a necessidade de criação de outro arquivo de componente.

O tipo de um componente ou família pode ser entendido como: um conjunto pré-formatado de valores de parâmetros que representam um tipo de elemento dentro de uma família mais geral. Difícil? Vamos a um exemplo para simplificar:

   -> Dentro do componente de porta simples, existem os tipos de porta de 80×210, 90×210 e assim por diante… Onde os parâmetros de largura e altura estão configurados conforme os tipos padrões criados.

 

Diferença entre parâmetros

Dessa forma, é possível diferenciar dois tipos de parâmetros distintos:

  • Parâmetro de tipo: o parâmetro quando modificado altera todos os elementos do projeto que sejam do mesmo tipo (por exemplo, fabricante, modelo etc). As definições de parâmetro de tipo ficam acessíveis e centralizadas em um lugar (na janela de propriedades de tipo, no Revit por exemplo);

  • Parâmetro de instância: esse parâmetro permite que, quando modificado, somente aquela instância selecionada tenha seu valor modificado, permanecendo igual em todos os outros elementos que porventura tenham no projeto. O parâmetro fica então acessível diretamente no painel de propriedades do elemento selecionado. Esse tipo de parâmetro acaba, dessa maneira, consumindo mais memória do projeto já que cada elemento pode ter seu valor diferenciado.

A decisão de um pelo outro é de grande importância para a criação de um bom componente, pois ditará seu comportamento no modelo!

Por exemplo, o valor do peitoril de uma janela pode ser um parâmetro de tipo ou de instância:

  • Se for optado pelo tipo, precisaremos criar diversos tipos de família de janela para diferentes alturas de peitoril (120×120 p=120, 120×120 p=110, 120×120 p=100, etc);

  • Entretanto, se for optado por um parâmetro de instância, cada janela pode ter um valor de peitoril diferente conforme a necessidade.

Uso pretendido e planejamento dos componentes

O BIM pode ter diferentes usos conforme os objetivos das partes envolvidas e estipulado em contrato. Considerando que os componentes apresentam papel fundamental na criação dos modelos, é essencial que eles também sejam planejados conforme os usos pretendidos e utilizados no momento adequado do fluxo de projeto.

DICA: De nada adiantaria eu utilizar um componente específico de mobiliário urbano, preparado para renderizações em uma fase de estudo preliminar de arquitetura, adicionando somente peso ao meu arquivo e sobrecarregando meu poder de processamento.

Os seguintes usos de BIM estão atualmente em estudo pela CEE-134 – Comissão Especial de Estudo sobre Modelagem da Informação da Construção da ABNT e resultarão em partes da norma de Componentes BIM definindo requisitos específicos:

  • Planejamento 4D;

  • Análise Energética;

  • Extração de Quantidades para Orçamento Executivo;

  • Concepção de Sistemas Prediais Hidráulicos;

  • Concepção de Sistemas Prediais Elétricos;

  • Concepção de Sistemas AVAC/R;

  • Concepção de Estruturas Metálicas;

  • Concepção Arquitetônica;

  • Análise de Sustentabilidade;

  • Concepção de Luminotécnica;

  • Concepção de Estruturas de Concreto;

  • Geração de documentação;

  • Detecção de interferências;

  • Visualização;

  • As-built;

  • Gerenciamento de Facilities;

  • Comissionamento;

De forma geral o comitê já propôs os seguintes parâmetros mínimos para os componentes:

O futuro próximo

O Governo Federal, reconhecendo a importância estratégica dos componentes para a adequada implementação do BIM em território nacional, está criando a Plataforma BIM, que tem como objetivo hospedar e se tornar o repositório nacional das bibliotecas virtuais BIM. Assim, os requisitos mínimos para hospedagem no repositório se tornarão essenciais no planejamento dos componentes BIM nos próximos anos.

Matheus Bracht

Engenheiro Civil formado pela UFSC com período de intercâmbio na TU München. Estuda BIM desde 2011 quando era bolsista do Programa de Educação Tutorial. Atualmente é gerente BIM da Portal Engenharia, escritório especializado em projetos integrados de instalações complexas, onde supervisiona a criação de modelos, define processos, padrões e templates e realiza pesquisas em interoperabilidade, gestão de projetos e integração de modelos BIM com simulações energéticas.

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