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Revit é BIM?

Você acha que BIM é Revit? Entenda porque essa troca de conceitos é uma situação comum com quem começa a estudar BIM e aprenda a diferença!

Após uma palestra que ministrei, um dos participantes veio me perguntar “Alexandre, mas BIM é Revit ou Revit que é BIM?” e isso me chamou a atenção. Isso porque existem muitos cursos, empresas e profissionais que se vendem como BIM, mas na verdade estão abordando a manipulação de um único software, normalmente o Revit.

Mas afinal, Revit é BIM? BIM é Revit?

Primeiro passo: entender o conceito

Pra responder vamos começar definindo alguns conceitos. A sigla BIM normalmente é desmembrada de duas maneiras: Building Information Modeling – aqui, a terminação “ing” entrega um caráter verbal; e Building Information Model – aqui, como substantivo.

 

 

Building Information Modeling se refere ao conceito mais amplo de BIM. Diz respeito a um conjunto de processos e métodos que são aplicáveis a todo ciclo de vida de um empreendimento.

Sugere que as informações referentes à determinada construção estarão presentes em um modelo virtual, podendo ser utilizada para estudos de viabilidade, estudos de eficiência energética, simulação de custos, simulação de prazo, extração de quantitativos, estudo de projetos, manutenção, etc.

Ademais, nesse processo de construção e manipulação deste modelo entra em vigor o conceito da interoperabilidade, ou seja, vários profissionais alimentam o modelo (simultaneamente, ou não) com informações.

Essa abordagem cooperativa altera um pouco a metodologia de gestão de projetos de engenharia e isso por vezes se torna um empecilho quando trabalha-se com profissionais mais resistentes à adesão de novas tecnologias e metodologias.

Além disso, soma-se o fato de não termos no mercado da construção muitas práticas de qualidade consolidadas com gestão de projetos.

BIM muito além do Revit

O conceito BIM como substantivo se refere unicamente ao modelo BIM (como esse da imagem abaixo). Construí-lo é apenas uma etapa de todo o leque de possibilidades e informações que são abertas quando dizemos que estamos utilizando BIM!

Existem vários softwares que permitem a construção e manipulação destes modelos. Os softwares de modelagem mais conhecidos são o Revit (Autodesk) e o Archicad (Graphisoft).

Ou seja, o Revit é um software da Autodesk (mesma empresa fabricante do AutoCAD) que permite a criação de modelos BIM.

Mas aprender a operá-lo é importante para entender mais e começar a estudar BIM? Sim! Mas é importante ressaltar que existem metodologias de modelagem para potencializar a utilização deste modelo em diversas outras etapas do projeto.

A modelagem em BIM

 

É fundamental compreender o processo BIM como um todo durante o processo de modelagem e ter compromisso com a informação que estamos criando. Afinal, quando falamos de BIM, estamos construindo virtualmente, simulando a obra no computador, e não apenas criando representações de elementos construtivos, como fazíamos no AutoCAD, por exemplo.

Ou seja, a partir de agora as paredes deixam de serem apenas “linhas” e passam a ter informações agregadas (espessura, material, custo, volume, condutividade térmica, etc).

Assim, caso uma informação seja incluída de maneira equivocada no momento da modelagem, acarretará em problemas em um segundo momento que essa informação for utilizada por outro profissional em outra etapa do processo BIM (quando o construtor ou o incorporador estiver traçando o planejamento da obra, por exemplo).

Além disso, existem também softwares BIM cujo foco é a manipulação e extração de informações do modelo. Podemos citar o Navisworks (também da Autodesk), o Solibri e o Vico, por exemplo. A gente ainda vai falar bastante sobre esses e muitos outros softwares aqui no nosso blog.

Todos saem ganhando

Ficou mais clara a diferença? Conseguimos explicar que BIM não é só Revit? Tem alguma dúvida? Escreve pra gente!

Vale ressaltar que esse caráter cooperativo do BIM faz a gente pensar que quanto mais gente estiver à par dessa tecnologia, cada vez mais teremos projetos mais eficientes, em termos de custo, prazo, sustentabilidade.

Assim, aos poucos, vamos quebrando essa associação de que obra é bagunça e que construir é uma dor de cabeça.

Guilherme Pelizza

Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, trabalha com gestão da construção desse 2012. Em 2015 co-fundou a Integra Contrução Inteligente, que aplicava BIM para soluções de compatibilização de projetos, orçamento e planejamento de obras. Há dois anos é coordenador de projetos na Canteiro AEC, onde gerencia e compatibiliza projetos utilizando BIM.

This Post Has 2 Comments
  1. ótimo artigo, muito bem explicado, de maneira direta e clara.
    Tenho um escritório especializado em cálculo estrutural, hoje uma das vantagens de utilizar o software é para “ganhar tempo” com a parte de desenho, e aos poucos estamos descobrindo e nos aprofundando mais nas diversas possibilidades e facilidades que podemos ter com ele.

    Muito sucesso para vocês, e obrigada por compartilhar o conhecimento.

    1. Oi Flávia! Muito obrigado pelo seu feedback, estamos sempre buscando compartilhar conhecimento de uma maneira prática e clara. Legal saber sobre o seu escritório, se quiser bater um papo até sobre maneiras de agilizar este aprofundamento de vocês, estamos à disposição!

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