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Lições que aprendemos fazendo quantificação e Clash Detection em BIM

Neste estudo de caso vamos dividir os primeiros desafios e reflexões com os quais nos deparamos ao começar a utilizar BIM

Em 2015 eu, dois membros do BIM na Prática e mais alguns colegas idealizamos um projeto de empresa que utilizaria o Building Information Modeling como solução para construtoras com demanda de serviços relacionados à gestão da construção, área em que já atuava na época mas com pouca ou nenhuma utilização de BIM. Assim, neste post quero te contar um pouco sobre os aprendizados que tivemos nesta experiência.

 

O caso

Primeiramente nosso desafio foi, assim como em todo projeto, definir bem qual seria nosso escopo de atuação nesse primeiro momento interagindo com softwares BIM. Optamos por seguir oferecendo algo que já conhecíamos bem: orçamento de obra.

Nesse sentido utilizaríamos o modelo como fonte para quantitativos, o que nos permitiria aprender bastante sobre o processo de modelagem, sem a promessa de entregar algo que fugia de nossa capacidade no momento.

Nesse momento nossa abordagem foi com construtoras que começavam a entender a importância e as vantagens da utilização do BIM, mas que queriam que a migração CAD-BIM fosse lenta e sem romper com a forma como já vinham trabalhando até então.

Isso significou que construiríamos todo o modelo a partir de projetos recebidos em AutoCAD, elaborados pelos mesmos parceiros de sempre de nossos clientes. Ou seja, utilizaríamos ferramentas BIM, mas obedecendo a lógica de processos vigentes até então.

Definir escopo e metodologia

Desafio I – software:

A partir daí começamos a estudar como funcionava o processo de extração de quantidades a partir de um modelo BIM; quais softwares atenderiam nossas demandas e como validar a substituição total dos métodos tradicionais de extração de quantitativos a partir de projetos 2D.

Testamos vários softwares mas optamos pelo Revit como ferramenta de modelagem e também de extração de quantidades.

Desafio IIorganização e gestão:

O próximo passo era descobrir como construir o modelo BIM de forma que pudéssemos extrair os quantitativos de forma organizada e, principalmente, similar à EAP estruturada para elaboração do orçamento. Esta, oriunda de definições de controle de gasto da construtora e também de sugestões nossas.

Uma das análises que mais rendem discussão nesse caso é como extrair as quantidades relacionadas às vedações ou paredes da edificação separadamente, ou seja, como podemos obter a informação da metragem quadrada de alvenaria, chapisco, reboco e pintura/revestimentos de forma isolada.

Este é de fato um dos pontos que mais vejo discussão entre quem está iniciando trabalhos direcionados à extração de quantitativos, e a verdade é que não existe uma resposta pronta. Existem possibilidades mais alinhadas com cada objetivo.

DICA: O Revit, por exemplo, permite a criação de paredes com camadas (que podem ter diferentes alturas, inclusive). Nesse sentido é possível tirar o quantitativo separado através do Material Takeoff, ou ainda separar as camadas posteriormente com o recurso Parts.

Outra possibilidade, que acaba sendo mais trabalhosa num momento inicial é modelar cada camada de revestimento como uma parede diferente. Um raciocínio similar é válido para pisos, por exemplo, considerando contrapiso e o acabamento.

 

Desafio IIIrelatório preciso:

Uma vez construídos os modelo e mais familiarizados com os softwares, notamos que poderíamos também rodar, de forma muito prática a ferramenta Clash Detection do Navisworks, um recurso automatizado para detectar incompatibilidades de projeto (ou equívocos de modelagem – é importante dizer).

Isto foi entregue de forma pontual, ou seja, foi feito apenas uma rodada de detecção de incompatibilidades, entregue ao cliente na forma de relatório. A detecção automatizada é muito simples e muito eficiente. Nosso maior trabalho neste produto era a formatação do relatório.

 

Conclusões e aprendizados

É importante compreender que os softwares BIM oferecem um repertório imenso de ferramentas que permitem o uso da informação para diversas etapas de um processo construtivo. O que sempre deve ser levado em consideração no momento da criação deste modelo é qual será o objetivo deste banco de dados que está sendo criado e alimentado.

Do contrário pode-se ter um modelo altamente subutilizado (rico em informações/detalhes que não serão utilizadas – esforço jogado fora), ou ainda ter carência de informação necessária (esforço sem resultado esperado).

Além disso, nessa experiência ficou muito evidente a importância e eficiência do BIM para compatibilização de projetos (saiba mais sobre como fazer aqui). Parte disso pela automatização dos processo de detecção de interferências, mas principalmente pelo salto de capacidade analítica de se trabalhar com projetos tridimensionais munidos de informação, permitindo análises mais profundas e mais embasadas.

Principalmente, ficou claro que a compatibilização é um processo cíclico, que está muito mais ligado aos processos envolvidos para solucionar problemas de projeto do que a detecção destes problemas em si.

Guilherme Pelizza

Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, trabalha com gestão da construção desse 2012. Em 2015 co-fundou a Integra Contrução Inteligente, que aplicava BIM para soluções de compatibilização de projetos, orçamento e planejamento de obras. Por dois anos foi coordenador de projetos na Canteiro AEC, onde gerenciava e compatibilizava projetos utilizando BIM.

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