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Descubra o que é a Interoperabilidade entre plataformas BIM

Aprenda o conceito de maneira didática, o que é interoperabilidade em BIM na prática e porque se trata de um dos mais importantes conceitos relacionados ao BIM.

Imagine um alemão e um francês tentando se comunicar. Existe a possibilidade de um dos dois aprender o idioma do outro e dessa forma conseguirem conversar ou ambos aprenderem um idioma em comum mais universal, como o inglês, dividindo o esforço e possibilitando a comunicação com uma gama maior de culturas

Da mesma forma a interoperabilidade é o que permite que softwares de diferentes fabricantes possam “conversar” entre si usando uma linguagem comum e aberta! Mantendo a analogia, é importante pensar que o nível da conversa entre os indivíduos fica nivelada pelo falante mais iniciante do idioma.

Importância no mundo do BIM

Com o aumento do uso e estudo do BIM, a interoperabilidade vem ganhando cada vez mais atenção na indústria da construção (artigo em inglês). Os dados de um Building Information Model devem ser compartilhados entre diversas equipes envolvidas nos processos relacionados com o ciclo de vida da construção, comumente utilizando softwares e plataformas diversas.

Segundo Chuck Eastman no seu conhecido Manual do BIM (do inglês BIM Handbook), a necessidade de realizar cópias manuais toda vez que um modelo BIM mudasse de plataforma, desencorajaria iterações durante a fase de projeto. E isso, consequentemente, prejudicaria a qualidade das soluções de projeto encontradas, levando a erros e gerando grande retrabalho.

A McGraw Hill Construction estimou ainda que 3,1% dos custos dos projetos são relacionados apenas com problemas de interoperabilidade entre softwares. Podemos notar que a questão da interoperabilidade se apresenta como um ponto crítico para o desenvolvimento de um projeto BIM. Dessa forma, existem atualmente iniciativas globais que visam estudar e apresentar soluções para o problema.​

Na prática de modelagem/projeto

Vamos imaginar, por exemplo, o caso que um especialista em eficiência energética necessita realizar simulações do projeto de um prédio de escritórios. Sem a interoperabilidade, seria necessário o especialista remodelar o projeto inteiro do arquiteto para dentro da sua ferramenta de simulação, ampliando enormemente o tempodo processo e a propensão a erros de interpretação e eventuais descuidos

Algo que ocorre bastante no escritório em que trabalho, é termos que realizar compatibilizações e análises utilizando o modelo estrutural desenvolvido por outras empresas. Sem a interoperabilidade teríamos que remodelar o projeto estrutural manualmente tendo chance de errar diversos parâmetros ou interpretar incorretamente o projeto.

Ao utilizarmos formatos abertos, por outro lado, somos capazes de ter um modelo estrutural fidedigno e recheado de informações corretas (nome do elemento estrutural, porcentagem de aço, dimensões físicas, resistência do concreto, etc).

Iniciativas globais e o IFC

buildingSMART surgiu em 1995 como uma aliança de empresas privadas de softwarescom o objetivo de pesquisar a relevância e benefícios da interoperabilidade. Tal aliança evoluiu para uma organização internacional e aberta a novos membros, buscando desenvolver formatos abertos e não-proprietários para a troca de arquivos na indústria de construção e infraestrutura

A organização promove o Industry Foundation Class (IFC) como um produto neutro para dar suporte ao ciclo de vida do edifício e permitir a troca ou compartilhamento de informações sobre o mesmo. Caso você se interesse mais sobre o IFC, recomendo conferir a tese de Manzione da USP (2013).

De acordo com Chuck Eastman, o IFC permite a troca de informações a respeito da geometria, do tipo de objetos, de suas relações com outros objetos e propriedades relevantes. É extremamente rico em informações tentando abranger todas as etapas do ciclo de vida da edificação, dessa forma, pode-se mostrar bastante redundante.

Existem diversos tipos de objetos em uma construção (pense em paredes, esquadrias, pilares, conexões de tubulação, equipamentos de climatização, etc) e para cada um desses objetos dezenas de propriedades associadas(peso, resistências mecânicas, prazos para manutenção, códigos de produto, etc). Deve-se, portanto, analisar quais são as informações necessárias para cada atividade e configurar o enfoque que a exportação deve apresentar.

Por exemplo, uma exportação para um uso na equipe de operação e manutenção pode não necessitar de todas as informações dos objetos e sim somente aquelas necessárias para a tarefa (fabricante do equipamento, manual técnico, tempo de garantia, etc).

Conclusão

Com a interoperabilidade é possível imaginar um momento em que softwares poderão trocar informações sem perdas significativas de informação. Permitindo assim, a manutenção de um modelo preciso e sempre atualizado da edificação por longos períodos de tempo, evitando reentradas de dados todas as vezes que o modelo muda de mãos.

Ainda vivemos em um tempo, entretanto, que os formatos ainda não se encontram perfeitos para todas as situações, mas já nos servem para diversos usos se bem executados. Como por exemplo: realização de interferências geométricas, análises de normas com uso de parâmetros, simulações mais simples, etc.

Por fim, vale destacar também o quão impressionante é também a velocidade com que as tecnologias estão evoluindo, exigindo dos profissionais um aprimoramento e treinamento constantes. Por isso é importante sempre estar atento às novidades no tema, pois a ideia de um profissional na área de projetos de engenharia desempenhando algo da mesma maneira por diversos anos está ficando cada vez mais no passado.

Matheus Bracht

Engenheiro Civil formado pela UFSC com período de intercâmbio na TU München. Estuda BIM desde 2011 quando era bolsista do Programa de Educação Tutorial. Atualmente é gerente BIM da Portal Engenharia, escritório especializado em projetos integrados de instalações complexas, onde supervisiona a criação de modelos, define processos, padrões e templates e realiza pesquisas em interoperabilidade, gestão de projetos e integração de modelos BIM com simulações energéticas.

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