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O que é BIM: Tudo o que você precisa aprender

Você sabe mesmo o que é BIM? Descubra aqui o que significa, o conceito e aplicação deste termo tão atrelado à inovação na engenharia civil e arquitetura.

Não há como negar que saber o que é BIM – Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção – é cada vez mais obrigatório no universo da engenharia civil e arquitetura, pois ele está trazendo inúmeros benefícios para a construção civil ao redor do mundo.

Originalmente usado por arquitetos na concepção de projetos arquitetônicos, o BIM migrou para as mãos de construtoras de prédios comerciais, hospitais e outras edificações mais complexas, em que o uso de informações mais detalhadas poderia otimizar custos e evitar problemas durante a construção e operação da edificação.

Neste post você verá:

  • O que significa BIM;

  • A ideia de construir virtualmente uma edificação;

  • Como integrar as equipes de trabalho com o BIM;

  • O que são edificações inteligentes.

No Brasil, ele vem ganhando cada vez mais força, mas ainda não é amplamente conhecido e aceito por todos os setores da engenharia civil e arquitetura. Mas afinal, o que é um modelo da informação da construção? Por que o BIM vem atraindo tanto a atenção do mundo?

O que significa BIM?

No Caderno BIM, uma iniciativa liderada pela Secretária de Estado do Planejamento de Santa Catarina, é feita uma importante distinção entre os dois significados existentes para a sigla BIM.

  • O Building Information Modeling pode ser definido como um processo que permite a gestão da informação, por todo o ciclo da edificação.

  • Por outro lado, Building Information Models são o conjunto de modelos compartilhados, digitais, tridimensionais e semanticamente ricos, que formam a espinha dorsal do processo do Building Information Modeling.

Em outras palavras, BIM é uma série de processos, métodos, softwares e tecnologiasutilizados para melhorarem a comunicação e a cooperação durante as fases de um empreendimento, desde a concepção arquitetônica até a manutenção do edifício. O modelo no caso, simplificando a ideia, se trata de uma versão digital completa da construção.

 

Construindo virtualmente uma edificação

Para exemplificar de maneira mais clara, no processo BIM é como se o prédio, fosse construído virtualmente no computador antes de ser construído no terreno. Assim como na “vida real”, todas as disciplinas de projeto (hidráulico, estrutural, arquitetônico, etc.) estarão sobrepostas, portanto é importante facilitar a visualização de problemas e a elaboração de formas de otimizar o projeto.

Dessa maneira, fica mais fácil identificar se um tubo está atravessando uma viga onde não deveria ou se uma porta não tem espaço suficiente para abertura.

Ao invés de apenas desenharmos linhas para representar as paredes da edificação, agora utilizamos geometrias. O software de modelagem (utilizado para criar esses modelos virtuais) interpreta essa geometria como uma parede de alvenaria ou de bloco estrutural, por exemplo.

Dependendo do grau de especificidade que você desejar, é possível indicar o custo desses blocos, o coeficiente de condutividade térmica e muitas outras informações. Possibilitando análises e simulações de maneira muito mais dinâmica que em processos CAD.

Integrando as equipes de trabalho com o BIM

Nesse processo de construção e manipulação do modelo, entra em vigor o conceito de interoperabilidade, ou seja, vários profissionais alimentam o modelo (simultaneamente, ou não) com informações.

Essa abordagem cooperativa altera um pouco a metodologia de gestão de projetos de engenharia e isso, por vezes, se torna um empecilho quando trabalha-se com profissionais mais resistentes à adesão de novas tecnologias e metodologias. Soma-se a isso o fato de não termos no mercado da construção muitas boas práticas de gestão de projetos disseminadas.

Essas plataformas permitem também realizar estudos e análises de sequência construtiva, tudo isso em animações 3D. Ou seja, à medida em que a obra vai avançando, é possível ver a estrutura subindo, a parede sendo construída e etc.

Além disso, após criado o modelo das diversas disciplinas de arquitetura e engenharia civil, as equipes responsáveis pelos estudos de orçamento e planejamento de obra podem utilizar todas essas informações para analisar quais as melhores estratégias de construção.

Alguns softwares de planejamento permitem a simulação de canteiros de obra e movimentação de equipamentos, evitando acidentes e otimizando a logística.

Edificações inteligentes

Indo mais a fundo no que esses modelos podem proporcionar,  vamos utilizar um carro como exemplo. Mesmo os carros mais antigos possuem indicadores que mostram os níveis de combustível e velocímetro. Os carros mais modernos já indicam os níveis de fluido de óleo, freio, pressões de pneus e funcionamento de peças mecânicas do motor.

Perceba que mesmo que o usuário não tenha conhecimentos de mecânica, ele saberá operar e realizar as manutenções do carro baseado nos apontamentos feitos pelo sistema.

O mesmo paralelo pode ser traçado para uma edificação inteligente. Imagine, por exemplo, se fosse possível que:

  • Os brises aberturas se adequassem às suas necessidades de luz e energia em um determinado momento;

  • O sistema de elevadores informasse quando uma manutenção é necessária;

  • Os extintores de incêndio alertassem sobre o prazo de validade dos mesmos.

Em resumo, tudo isso já é possível graças a criação de bancos de dados das edificações para operação e manutenção, baseado no conceito de BIM! É claro que esses exemplos fogem um pouco da realidade que estamos acostumados no Brasil, mas é importante conhecer o que já é possível fazer e o quanto ainda precisamos evoluir.

 

Conclusão

Essa foi uma explicação geral para você entender melhor o que é BIM, tanto na arquitetura quanto na engenharia civil, e algumas aplicações práticas. Mas é importante destacar que ainda podemos usá-lo para auxiliar processos mais simples que ainda hoje causam desperdício. Esses processos são assunto para um próximo post…

Alexandre Muller

Engenheiro Civil graduado na UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, foi um dos fundadores da Integra Construção Inteligente, uma empresa de consultoria em planejamento e orçamento de obras utilizando BIM.

Em 2014, estudou na University of Southern California com dois grandes especialistas em BIM – Lucio Soibelman e Burcin Becerik-Gerber, ambos com anos de experiência na indústria, na área acadêmica e em pesquisa. Além disso, participou de uma pesquisa no i-Lab – Innovation in Integrated Informatics – sobre o uso de Laser Scanner para criação de modelos as-built.

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