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BIM Brasil: O que é o decreto de implementação nacional de BIM

O BIM Brasil foi publicado pelo governo federal como estratégia para o BIM a nível nacional

No dia 16 de maio de 2018 o governo federal instituiu a estratégia nacional de disseminação da metodologia BIM, a Estratégia BIM Brasil. O Decreto nº 9.377, de 17 de maio de 2018, instituiu de maneira oficial a estratégia. Mas o que contempla esse documento, quais são os objetivos do governo e prazos estimados?

A origem do projeto

Antes de mais nada, é importante ressaltar que essa estratégia não surgiu a partir do nada. O governo federal criou em junho de 2017 o Comitê Estratégico de Implementação do Building Information Modelling – CE-BIM – para criar a estratégia de ações e iniciativas para guiar a implementação do BIM nos setores público e privados do país. Esse comitê foi formado por sete ministérios:

  • Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços;

  • Casa Civil da Presidência da República;

  • Ministério da Defesa;

  • Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão;

  • Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações;

  • Ministério das Cidades;

  • Secretaria-Geral da Presidência da República.

Para o apoio técnico e assessoramento do colegiado foi criado o Grupo de Apoio Técnico (GAT-BIM).

Estruturação

A Estratégia BIM Brasil foi estruturada em: finalidade, objetivos e ações, contemplando também indicadores e metas. Para o gerenciamento da estratégia foi criado um comitê gestor (GG-BIM) formado por representantes de nove ministérios.
A Finalidade principal estipulada, portanto, foi a seguinte:

“Promover um ambiente adequado ao investimento em BIM e sua difusão no país.”

A estratégia apresenta nove objetivos que buscam orientar as ações e iniciativas para alcançar os resultados esperados, onde destaco três deles em negrito:

  • I) Difundir o BIM e seus benefícios;

  • II) Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM;

  • III) Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado, em BIM;

  • IV) Estimular a capacitação em BIM;

  • V) Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e contratações públicas com uso do BIM;

  • VI) Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para a adoção do BIM;

  • VII) Desenvolver a Plataforma e Biblioteca Nacional BIM;

  • VIII) Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM ;

  • IX) Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade BIM.

Objetivos em destaque

Objetivo IV – Estimular a capacitação em BIM

O comitê compreendeu como essencial a capacitação dos profissionais para que tenham conhecimento dos novos processos e dessa forma possam tirar todo o potencial que a tecnologia BIM pode entregar. Assim, foram previstas as seguintes ações:

  • Estabelecer objetivos de aprendizagem e competência BIM para cada nível de atuação de modo a orientar o mercado a ofertar cursos;

  • Capacitar em BIM gestores e servidores públicos

  • Estimular maior inserção do BIM nas disciplinas de graduação e pós-graduação em Engenharia e Arquitetura;

  • Estimular a certificação em BIM de profissionais.

Objetivo VII – Desenvolver a plataforma e a Biblioteca Nacional

A ideia da Plataforma BIM é criar uma ferramenta de comunicação entre todos os atores do setor, com trocas de informações, disseminação de padrões técnicos e melhores práticas. Dentro da plataforma estará hospedada a Biblioteca Nacional BIM (BNBIM), que concentrará os componentes BIM disponibilizados aos profissionais. Para esse objetivo foram previstas as ações:

  • Promover a autossustentabilidade econômica da Plataforma BIM;

  • Mobilizar as partes interessadas, buscando a contribuição para a Plataforma e a BNBIM, por meio da elaboração de objetos virtuais (componentes BIM) e outras iniciativas;

  • Utilizar a plataforma BIM como instrumento de comunicação e disseminação de informações;

  • Criar sistema de avaliação de conformidade de objetos BIM;

  • Ampliar o acervo de objetos genéricos da BNBIM.

Objetivo VII – Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade BIM

Como um dos grandes pontos positivos, o comitê compreendeu a necessidade da adoção de padrões neutros para possibilitar o sucesso da implementação do BIM a longo prazo, destacando a interoperabilidade (conceito que já expliquei neste blog plost). Para esse objetivo as ações estabelecidas foram as seguintes:

  • Incentivar a utilização de padrões neutros BIM para intercâmbio de dados;

  • Promover fluxos de trabalho em formatos abertos para colaboração.

 

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Metas e Prazos

Os prazos para implementação foram divididos em três grandes etapas:

  • A partir de janeiro de 2021 a exigência de BIM se dará na elaboração de modelos para a arquitetura e engenharia nas disciplinas de estrutura, hidráulica, AVAC e elétrica na detecção de interferências, na extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica a partir desses modelos;

  • A partir de janeiro de 2024, os modelos deverão contemplar algumas etapas que envolvem a obra, como o planejamento da execução da obra, na orçamentação e na atualização do modelos e de suas informações como construído (“as built”). Além das exigências da primeira fase.

Conclusão

Acreditamos que a estratégia do governo federal atingiu um nível bastante aceitável de maturidade principalmente no que tange as definições de objetivos claros, ações necessárias e prazos com limites bastante possíveis de serem atingidos.

As preocupações dos comitês nas questões de capacitação, desenvolvimento de plataformas e de utilização de padrões neutros mostram que houve uma análise realista para possibilitar com que o plano seja implementado de maneira sólida e visando o longo prazo.

Por isso nós apoiamos e promovemos ensino de BIM voltado completamente a prática profissional, sem enrolações com dicas ferramentais desnecessárias. Caso queira saber mais, se capacitar e sair na frente do mercado, conheça nosso curso.

Caso queira ver o documento na íntegra, acesse o pdf online do Ministério da Indústria e Comércio aqui.

Matheus Bracht

Engenheiro Civil formado pela UFSC com período de intercâmbio na TU München. Estuda BIM desde 2011 quando era bolsista do Programa de Educação Tutorial. Atualmente é gerente BIM da Portal Engenharia, escritório especializado em projetos integrados de instalações complexas, onde supervisiona a criação de modelos, define processos, padrões e templates e realiza pesquisas em interoperabilidade, gestão de projetos e integração de modelos BIM com simulações energéticas.

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