Eficiência energética e BIM: como usar para projetos de edificações?

Tempo de Leitura: 3 minutos
eficiência energética em bim

Eficiência energética e BIM são duas tendências que vêm crescendo muito no mercado da construção nos últimos anos. Materiais construtivos mais modernos, técnicas inovadoras, novos softwares e equipamentos mais eficientes estão sempre aparecendo nas novidades do setor, que muito tem discutido o tema da eficiência energética das edificações.

Porém, muitas vezes esquecemos, entretanto, da importância do desenvolvimento de boas estratégias e conceitos de eficiência já nas fases iniciais de projeto.

É nessa fase que os projetistas têm a maior capacidade de influenciar no desempenho da edificação. Escolhas que muitas vezes parecem triviais, como orientação da edificação e tamanho das aberturas, têm um impacto enorme no custo de operação do prédio.

Eficiência energética de edificações: Como e porque realizar simulações

Para termos certeza que estamos tomando as decisões mais acertadas do ponto de vista do desempenho da edificação, é muito importante realizar análises por meio de simulações da nossa edificação. Como o próprio nome diz, tais simulações tem o intuito de simular como será o desempenho energético de um projeto na vida real.

Por exemplo, podemos prever qual será o gasto de ar condicionado da nossa edificação e sua conta de luz no decorrer do ano. Dessa forma, podemos testar nossos conceitos sem recorrermos a medições somente depois do projeto ter sido edificado.

eficiência energética e BIM em edificações
O modelo BIM para análise de eficiência energética (Fonte: RMI)

O problema de realizar essas simulações atualmente no começo do processo de projeto, é que elas não são integradas naturalmente ao fluxo de projeto. O profissional precisa:

  1. Modelar em 3D o projeto em softwares específicos para esse fim;
  2. Inserir diversas informações a respeito do uso planejado da edificação;
  3. Finalmente rodar a simulação para avaliar suas escolhas e soluções.

Cada vez que o projetista alterar algo em seu projeto ele precisará alterar também o seu modelo para simulação, criando um processo mais burocrático. Esse tempo despendido interpretando e remodelando a edificação equivale, sozinho, a 50% do tempo para realizar uma análise energética.

Dessa forma, simulações energéticas hoje em dia acabam sendo realizadas somente ao final do processo de projeto para dimensionamento dos sistemas de climatização e para eventuais certificações e etiquetagens.

Porém, nesse momento o projeto já está bastante definido e as alterações de conceito acabarão sendo mínimas, conforme observamos no gráfico abaixo:

mudanças no tempo sobre eficiência energética e BIM em edificações
Custo de mudanças em projetos e obras (Fonte: PMKB)

Mas o que o que eficiência energética e BIM tem a ver então?

Atualmente o BIM, como já falamos em outros posts, se caracteriza pela modelagem da edificação em ambiente naturalmente tridimensional, mas mais que isso pela característica de possuir diversas informações relacionadas a esse modelo. Podemos assim ter a modelagem de uma edificação com as características térmicas já inseridas nas superfícies como paredes, lajes e aberturas.

Portanto, o uso de ferramentas BIM pode então oferecer ao projetista a possibilidade de explorar diversas alternativas de projeto. Ou seja, evitando o processo exaustivo de reentrada de geometria tridimensional e outras informações necessárias para a execução das simulações energéticas, dessa forma dinamizando e otimizando o processo projetual.

Assim com formatos específicos de interoperabilidade, como o IFC e o gbXML, o projetista tem a possibilidade de exportar a geometria da edificação diretamente de um software de modelagem. Bem como o Archicad, para um software de simulação energética, como o OpenStudio, ganhando muita velocidade no seu processo. Entretanto, o tema da interoperabilidade é complexo por si só e temos um post para tratar do assunto a fundo.

Enquanto softwares como o Revit da Autodesk, o AECOSim da Bentley e o Archicad já estão começando a trazer ferramentas com motores de simulação mais consagrados (como o EnergyPlus) integradas para avaliação e simulação dos projetos desenvolvidos em suas plataformas.

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Conclusão

Definitivamente pode ser visto que simulações energéticas são parte crucial para alcançarmos edificações mais eficientes energicamente contribuindo assim para o ecossistema e também para a sustentabilidade econômica de muitos negócios.

Ou seja, o uso do BIM para essas análises potencializa muito a otimização das soluções e conceitos adotados. entretanto é importante sempre lembrar que o projetista necessita ter bons conhecimentos nas áreas de transferência de calor e eficiência energética das edificações para inserir as informações adequadas para a realização correta das simulações. Da mesma forma e também para poder adotar o melhor conceito com base nos resultados encontrados.

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