O que é BIM Mandate e para que serve?

Tempo de Leitura: 4 minutos
capa BIM Handbook

Vários termos do “universo BIM” causam dúvidas e discussões acerca do seu significado prático, dentre esses termos o BIM Mandate surge como um dos maiores pontos de discussão.

A tradução literal de BIM Mandate seria “mandato BIM”, ou seja, algo que não pode ser recusado e na qual permite com que terceiros utilizem do nome/estrutura de algo.

Como o mandato de um político, na qual ele pode usufruir dos poderes conferidos ao seu cargo para utilizá-los respeitando as regras vigentes, por exemplo decidir onde os recursos de impostos serão aplicados.

Mas para explicar este termo para você de uma maneira simplista e direta, um BIM Mandate é um “padrão” que estabelece as políticas para implementação do BIM por uma entidade (empresa, órgão público, país e etc) de forma centralizada e, mais importante, planejada.

Chuck Eastman, no consagrado livro “BIM Handbook”, o define como:

Requisitos e objetivos para cada estágio de um BIM roadmap”(Chuck Eastman).

Em muitos casos, o BIM Mandate é entendido como um conjunto de documentos a ser emitido somente por governos ou entidades públicas, entretanto existem autores que consideram os planos de implementação de BIM de grandes empresas também como BIM Mandates.

BIm handbook capa - primeira vez que se falou o termo BIM Mandate
Capa do livro BIM Handbook (Fonte: Amazon)

No caso de governos, como um dos principais catalisadores de construções de um país, eles estabelecem uma série de padrões de processos e recebimentos, buscando a padronização e o envolvimento de toda a cadeia de suprimentos envolvida em uma edificação (Exactal – BIM Mandates & BIM Levels Explained).

Dessa forma, por exemplo, o plano governamental de implementação de BIM do Reino Unido e a Estratégia BIM BR (que explicamos neste blog post) são entendidos como BIM Mandates.

E como é criado um BIM Mandate?

Apesar da definição relativamente simples, o processo de desenvolver um BIM Mandate compatível com as peculiaridades e exigências de um mercado gigante como a da construção civil de todo um país pode ser considerada uma tarefa extenuante.

Isso porque ele envolve o levantamento de gargalos e custos atuais nos diferentes processos da construção, estimativas de melhoria com a implantação dos novos processo, estabelecimento de pilotos para demonstração de benefícios, criação de linhas de financiamento e políticas de incentivo. Além da estruturação da implantação em diferentes níveis governamentais e autarquias segundo uma estratégia.

Uma proposta de esqueleto é apresentada por Barry Tuckwood em um artigo, que recomendo a leitura para os mais interessados no tema, para o Institute of Civil Engineers do Reino Unido (leia o artigo aqui – em inglês):

  1. Criar um conceito: criar uma visão geral do setor e onde os custos crescem, podem ser cortados ou ajustados e gerar um case básico (referência);
  2. Realizar um piloto e medir resultados: medir os resultados e ganhos com a padronização, por fim é importante um relatório do criador do BIM Mandate;
  3. Distribua o modelo para os usuários de vanguarda: recomendação é começar por órgãos públicos cobrando o uso do BIM Mandate como obrigatório. É importante deixar bem claro como o BIM deve ser incorporado ao projeto já no processo licitatório;
  4. Buscar novos usuários e métricas, expandir o uso, avançar na maturidade: os três últimos passos são basicamente o desenvolvimento de uma maneira responsável e sem atropelos, até chegar nos níveis mais avançados de uso do BIM nacionalmente e com retornos financeiros já inquestionáveis.

Quem deve criar os BIM Mandates?

Embora própria necessidade de BIM Mandates a nível de países ainda está aberta a discussões, discute-se no meio de quem seria a responsabilidade pelas suas criações.

Pesquisadores acabam divergindo, principalmente por alguns acreditarem que a inovação deveria partir dos profissionais, fazendo com que a adoção do BIM faça sentido primeiramente para os processos dessas corporações e não seja apenas uma obrigatoriedade imposta pelo governo.

Além disso, existe o receio de que os BIM Mandates acabem ficando ultrapassados com o passar dos anos e com o desenvolvimento tecnológico sem conseguirem ser atualizados a tempo.

Entre outras alternativas para disseminação incentivada de forma governamental do BIM, além dos Mandates, poderia ser através de treinamentos subsidiados e incentivos fiscais, como feito em outros países e cogitado também no Brasil.

Como essa discussão ainda é bastante recente, diferentes modelos de adoção vem ocorrendo em diferentes países: alguns com maior representatividade do poder público (como o Reino Unido), outros através de incentivos (como Hong Kong e Cingapura) e ainda casos mais descentralizados (como nos Estados Unidos).

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Conclusão

Dessa forma, existe muito ainda a ser compreendido de cada processo e lições a serem aprendidas e catalogadas para servir como exemplo de futuras implementações a nível nacional.

Entretanto, é crucial entender a importância de planos que incentivem a inovação de grandes mercados como o da construção civil e, dessa forma, os BIM Mandates tem um papel de destacada importância ao orientarem ações públicas de ensino, capacitação e atualização de processos, termos/aparatos legais e parque tecnológico, além do incentivo a inovação dos profissionais, empresas privadas e órgãos públicos do setor.

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